DEMISSÃO: você já se sentiu traído? Enganado?

Rute chegou ao trabalho bem cedo, como sempre fazia. Depois daquele feriado, o trabalho duplicara e como era início do mês precisava fazer o seu planejamento.

Antes das 08h, o seu gestor chegou e a chamou para uma conversa a sós. Ela achou estranho, mas ficou feliz pois pensou que agora ele iria lhe dar o suporte que ela tanto precisava.

A conversa começou seguindo esse rumo e foi fortalecida com inúmeros elogios sobre a profissional que ela era: competente, responsável, incomodada, líder. Rute por um momento esqueceu todos as transformações que a sua área estava passando e foi se motivando com aquele apoio.

Quando estava pronta para agradecer o feedback, ouviu a frase: “mas você não está feliz, por isso estou te demitindo”.

Sabe aquelas cenas de filme em que tudo roda e você fica congelado sem entender? Bem essa é a melhor descrição do que aconteceu com Rute naquela situação. Ela não entendia absolutamente nada. Como ele afirmava que ela não estava feliz se mal conversavam?!

Era bem verdade que as mudanças feitas pela empresa na sua área a estavam deixando muito preocupada. Foram transformações radicais que reviraram toda uma cultura. E por serem tão grandes, precisavam de um tempo para serem não apenas digeridas, mas implementadas. Esse tempo, não se teve. A Companhia estabeleceu as normas e a execução precisava ser positiva, sem contestações.

Então, imaginem como estava Rute. Mas agora ela havia sido demitida, depois de inúmeros elogios. Quando ela saiu da sala, meio atônita, percebeu nos olhares de alguns colegas uma expressão que aquilo não era novidade e eles não conseguiam disfarçar.

Foi aí que ela compreendeu a fragilidade e o despreparo de alguns gestores e a imaturidade de outros profissionais. Quais foram os sentimentos vividos nesse caldeirão? Inúmeros! Mas garanto que o que prevaleceu foi o de ser enganada, traída, apunhalada pelas costas. A situação inesperada mostrou muito mais do que Rute gostaria, revelou a face amarga das relações corporativas que ela não se sujeitava a seguir e foi aí que ela entendeu o real motivo do seu desligamento…

Eu vivi duas das situações: um gestor compartilhou comigo o desligamento de uma colega muito próxima e na outra fui desligada sob olhares de “falsa surpresa”. Na primeira circunstância, falei de imediato com o gestor sobre não ter gostado do que ele compartilhou comigo. De forma respeitosa, mas firme, argumentei que na hierarquia eu e ela éramos equivalentes o que não justificava me associar a tal informação.

Na segunda, a ficha demorou um pouco a cair, mas senti piedade dos supostos “colegas”. Aqueles olhares eram acima de tudo irônicos e eu os desprezei porque tinha certeza que no dia deles não seria diferente. Senti alívio por não mais pertencer aquele “grupo”. Eu queria ser parte de uma equipe, não daquilo.

Quanto ao gestor, esse é o mais prejudicial de todos. Esse comportamento diz tudo sobre quem é como pessoa e profissional. Uma palavra pode resumir: insegurança. Ele deve ter receio até de sua própria sombra. É daqueles que “lidera” sob gritos educados e ameaças disfarçadas de conselhos.

Quantos tem por aí? Nem sei dizer, mas que muitas Rutes são frustradas diariamente e têm suas carreiras interrompidas por tais comportamentos, tenho certeza.

Mas a vida segue e ela se encarrega de colocar os trens nos trilhos. Pode até demorar, mas um dia ele segue o prumo certo. E como diz o ditado: “quem viver, verá”!

Obs: as histórias são reais, mas os nomes dos personagens foram trocados para garantir um relato mais confortável. Agradeço a confiança de todos!

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