Começo esse texto falando sobre o  que eu vejo além de uma bola, uma rede, jogadores. Um campo, uma piscina, técnicos, torcida. Preparação, superação, esforço mútuo. Muito mais que competição, o esporte para mim, está envolto em um mundo repleto de ensinamentos, aprendizagens e vice-versa inúmeras vezes. Mas uma coisa é você ser um atleta, outra BEM diferente, é você ser um Super Atleta: é ser um PARATLETA.

Quando  os vejo, tenho a sensação de ter levado um tapa na cara pela minha ociosidade. Pelas vezes que reclamo da vida por nada, pelas adaptações bobas que preciso fazer . 

Nas últimas Paraolimpíadas do Rio, me emocionei incontáveis vezes, não que isso seja algo difícil de acontecer, mas se tem algo que funciona bem comigo é o exemplo. Antes de qualquer coisa, quero deixar claro, que qualquer sentimento de pena, compaixão ou piedade passou bem longe daqui.

O que mexeu comigo foi a garra, força e superação de tantos atletas de tantos lugares do mundo. Muitos deles pessoas iguais a mim e a você que um dia qualquer teve sua vida totalmente mudada por algum acontecimento trágico ou já nasceram precisando se moldar à tudo (já que quase nada está adequado as suas necessidades).

E o que eles fizeram diante disso? Perceberam uma oportunidade e a agarraram, transformaram o trágico em mágico, não em um piscar de olhos, mas em um tempo além do nosso entendimento.

Os jogos Paraolímpicos surgiram após a Segunda Guerra Mundial, como forma de reabilitar militares feridos e teve sua primeira edição em 1960 em Roma. A primeira participação do Brasil foi na Alemanha em 1972.

O nosso país tem representantes de peso que enchem o nosso peito de tanto orgulho e deixam os olhos marejados de emoção. Adoro o charme da Terezinha Guilhermina, os feitos de Daniel Dias, a velocidade de Lucas Prado. A força de Claudiney Batista, a superação do Thiago Braz, a paixão de Edneusa Dorta e Ádria Santos. Tantos e tantos outros dos esportes coletivos e individuais:  grandiosos, generosos, graciosos guerreiros.

Mas me deixem falar do meu conterrâneo Clodoaldo Silva. Além de potiguares, nascemos no mesmo ano. Fazer referência a Clodoaldo é o mesmo que reverenciar todos eles, só que com um sotaque que conheço bem! Esse extraordinário atleta, nasceu especial logo no parto, quando sofreu paralisia cerebral. Conheceu a natação em um processo de reabilitação em 1996. De lá para cá, o “Tubarão Paraolímpico” como é chamado, deu lições dentro e fora das raias e das piscinas. E sabe o que mais me encanta no Clodoaldo? Aquele sorriso imenso que nenhuma paralisia foi capaz de deter. É meio mágico sabe?!

Trazendo tudo isso, para a nossa vida profissional, as lições são incontáveis, mas para mim a mais importante delas é que eles não conseguem nada sozinhos, o trabalho em equipe é fundamental.  Meio óbvio , se levarmos em conta suas limitações,  mas  no mundo corporativo, onde a maioria dos profissionais não as possuem, a competição desenfreada e “invisível” toma proporções assustadoras, deixando de lado o coletivo e sendo,  na maioria das vezes incentivada pelos gestores, quando não sugeridas.

Nunca esqueço de um comentário de um gestor,  em um momento de premiação. Uma colega havia recebido uma homenagem e eu vibrei por ela. Ele me olhou sério e perguntou se eu gostava de aplaudir os outros ou de ser aplaudida. Eu sabia aos detalhes dos desafios que ela enfrentou e que merecia o reconhecimento, mas ali isso não importava. Precisei sorrir torto, desconfortável e aplaudi-la no meu interior. Lá, vibrei muito forte.

Enquanto que em algumas empresas as disputas vorazes são motivadas, para os nossos paratletas elas são apenas um detalhe, já que travam lutas diárias consigo mesmos.

Assim, não é possível iniciar estas crônicas sobre “O que o Esporte me Ensina” sem enaltecer esses bravos guerreiros. Me deparando com eles, percebo que na vida um dia pode ser contabilizado como a MAIS ou a MENOS. E que apenas uma pessoa decide como vai ser: VOCÊ MESMO.

 

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